chomsky junior
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3/30/2026, 8:53:22 PM

Newsletter de hoje aqui no longerblue pra vocês: 1/ O choque de oferta de petróleo causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz chegou à marca de um mês e, segundo gente do setor, o mundo ainda não entendeu o tamanho do problema. Em conversas com dezenas de traders, executivos, corretores, armadores e consultores de petróleo e gás, a avaliação recorrente é que isso pode virar uma crise ainda maior do que os choques do petróleo dos anos 1970. A Ásia já está sentindo falta de combustível, com sinais de racionamento e corrida por estoques em vários países, e a expectativa é que esse estresse comece a andar para o Ocidente. A Europa pode ter que pagar muito mais caro para garantir cargueiros e ainda corre risco de escassez de diesel nas próximas semanas. Se Ormuz continuar travado, o mundo vai ser forçado a reduzir de forma brutal o consumo de petróleo e gás — mas só depois de um pico de preços que esmague consumidores e empresas. Uma conta aproximada sugere perda de 11 milhões de barris por dia nos fluxos globais, deixando um buraco líquido perto de 9 milhões de barris diários. No gás natural liquefeito, a situação é ainda mais extrema: cerca de um quinto da oferta global costuma passar por ali, não existe rota alternativa relevante e quase não há estoque estratégico para amortecer a pancada. E não para no posto de gasolina: petróleo também é matéria-prima de plásticos, que entram em praticamente tudo. Fonte: Bloomberg 2/ Trump estaria avaliando uma operação militar para retirar quase 1.000 libras de urânio do Irã, segundo autoridades americanas. A ideia seria uma missão complexa e altamente arriscada, que possivelmente exigiria a presença de tropas dos EUA em território iraniano por dias ou até mais tempo. Ele ainda não teria tomado a decisão final, porque o risco para os militares é real, mas segue aberto à possibilidade por considerar que isso ajudaria no objetivo central de impedir o Irã de chegar a uma arma nuclear. Ao mesmo tempo, a pressão diplomática também existe: assessores teriam sido incentivados a exigir que Teerã entregue esse material como condição para encerrar a guerra. Em outras palavras, a lógica é direta: ou o Irã cede na mesa de negociação, ou os EUA podem tentar tomar o material à força. Fonte: Wall Street Journal 3/ Em entrevista, Trump disse que sua preferência seria “tomar o petróleo do Irã” e mencionou a possibilidade de os EUA tomarem Kharg Island, principal hub de exportação do país. A fala veio num contexto em que milhares de soldados americanos estão sendo enviados ao Oriente Médio e o petróleo já disparou mais de 50% em um mês, com o Brent acima de US$ 116 por barril nos negócios asiáticos. Trump comparou a ideia ao que diz querer fazer na Venezuela, onde os EUA pretendem controlar a indústria do petróleo por tempo indefinido após a derrubada de Nicolás Maduro. A implicação prática é enorme: Kharg Island é um nó crítico da infraestrutura energética iraniana, e tomar esse ponto seria um salto brutal na escalada do conflito. Fonte: Financial Times 4/ Centenas de integrantes das Forças de Operações Especiais dos EUA chegaram ao Oriente Médio e se somaram a milhares de fuzileiros navais e paraquedistas do Exército já mobilizados. Segundo autoridades militares, esses comandos ainda não receberam missões definitivas, mas o simples deslocamento amplia de forma concreta o leque de opções de Trump para expandir a guerra. Entre os cenários considerados estão proteger o Estreito de Ormuz, participar de uma tomada de Kharg Island ou integrar uma missão contra o urânio altamente enriquecido do Irã em Isfahan. Só esse reforço já mostra o grau da prontidão: mais de 50 mil militares americanos estariam agora no Oriente Médio, cerca de 10 mil acima do nível habitual. Fonte: New York Times 5/ Apesar das bombas americanas e israelenses, o Irã estaria ganhando quase o dobro por dia com vendas de petróleo em relação ao período anterior ao início da campanha militar. A dificuldade é medir com precisão, porque os cargueiros iranianos operam de forma cada vez mais opaca, provedores comerciais de imagem de satélite reduziram atualizações na região e há interferência eletrônica no Golfo. Ainda assim, uma fonte com conhecimento da contabilidade do petróleo iraniano disse ao The Economist que o país continua exportando algo entre 2,4 e 2,8 milhões de barris por dia em petróleo e derivados, incluindo entre 1,5 e 1,8 milhão de barris diários de petróleo bruto. Isso seria igual ou até maior que a média do ano passado — com a diferença de que agora o preço recebido é muito mais alto. Em resumo: o regime pode apanhar militarmente, mas no tabuleiro energético ainda consegue converter crise em receita. Fonte: The Economist 6/ Ao longo de quatro décadas, o Irã construiu o que chama de “economia de resistência”: um modelo desenhado para sobreviver a sanções, conflito e isolamento. Isso inclui fabricar internamente produtos difíceis de importar, como medicamentos, peças automotivas e bens domésticos; espalhar centenas de usinas pelo território para dificultar a destruição da rede elétrica; e usar esquemas de troca e barter para driblar bloqueios, exportando petróleo em troca de alimentos e maquinário. Esse modelo ajudou o regime a atravessar crises sucessivas, ainda que à custa de uma estagnação econômica profunda e de um mal-estar social persistente. Agora, porém, essa estrutura está diante do seu teste máximo. Fonte: Financial Times 7/ A engrenagem de segurança do regime iraniano não se sustenta só em ideologia religiosa ou fidelidade política abstrata. Ela é sustentada também por interesses econômicos concretos. O sistema construído pela República Islâmica controla mais da metade da economia e funciona como uma enorme rede de proteção e recompensa: oferece renda, carreira, vantagens e oportunidades para quem permanece leal e ajuda a esmagar dissidência. Analistas e acadêmicos ouvidos pelo Wall Street Journal descrevem essa lógica como parte central da capacidade de sobrevivência do regime. Pesquisas recentes sugerem que só cerca de 20% dos iranianos apoiam o governo, mas esse bloco é mais coeso do que a oposição, justamente porque junta clérigos, forças paramilitares e civis dentro de um mesmo arranjo econômico de interesse mútuo. Fonte: Wall Street Journal 8/ Aliados e parceiros dos EUA na Ásia estão olhando para a guerra no Oriente Médio como um pesadelo estratégico. A preocupação, em capitais como Tóquio, Manila, Taipei e Seul, é que uma guerra longa contra o Irã desvie foco, recursos e capacidade militar americana do Indo-Pacífico justamente quando a pressão chinesa cresce. O dano não é apenas militar: o salto no petróleo e as dificuldades no gás natural já provocam dor econômica. Mas o temor mais profundo é geopolítico: enquanto Washington fica mais afundado no Golfo, Pequim ganha mais espaço para avançar sobre seus interesses regionais. Fonte: Washington Post 9/ Na Alemanha, o aumento de gastos militares vem sendo vendido como necessidade estratégica, mas a crítica é que o dinheiro está indo para aquilo em que o establishment industrial alemão já sabe lucrar: tanques, mísseis balísticos e navios de guerra. A acusação é de desperdício, arrogância e cinismo. A lógica seria perversa: se o objetivo político é bater uma meta de 5% do PIB em defesa, sistemas caros ajudam mais na conta do que tecnologias baratas e altamente eficientes, como drones. Só que a guerra contemporânea mostrou justamente o valor dos drones no campo de batalha. Em outras palavras, a Alemanha estaria gastando mais, mas não necessariamente melhor. Fonte: Eurointelligence 10/ A AfD, partido de extrema direita na Alemanha, pediu a retirada de todas as tropas americanas do país e também das armas nucleares estacionadas ali. O copresidente Tino Chrupalla disse a apoiadores que era hora de remover as tropas aliadas e buscar uma política externa “independente”. Hoje, quase 40 mil militares dos EUA permanecem na Alemanha, que abriga mais de uma dezena de instalações americanas importantes, incluindo o quartel-general do comando europeu. O discurso da AfD combina nacionalismo, ressentimento geopolítico e a tentativa de transformar a presença americana em pauta de campanha. Fonte: Telegraph 11/ Elon Musk e outros magnatas de tecnologia estão apostando pesado em robôs humanoides como a próxima grande fronteira da inteligência artificial. A ideia é levar a corrida da IA para o mundo físico e automatizar tarefas intensivas em trabalho manual, aquelas que grandes modelos de linguagem sozinhos não conseguem executar. No Vale do Silício, isso virou buzzword: “physical AI”. Para investidores e empresas, a conta é simples e brutal — robôs exigem capital e manutenção, mas não recebem salário, férias ou direitos. Daí a frase de que essa pode ser “o maior mercado total endereçável da história da humanidade”. Nvidia já martela esse conceito publicamente, e Musk tenta posicionar a Tesla como uma das grandes vencedoras dessa próxima fase. O ponto central é que a automação não quer mais só disputar o trabalho de escritório; agora ela mira o trabalho braçal em escala industrial. Fonte: Washington Post 12/ Na área de saúde, um medicamento potente para redução do colesterol pode estar mudando as regras da prevenção cardiovascular. Pesquisadores encontraram sinais de que o evolocumabe, normalmente usado em pessoas que já têm doença cardiovascular, também pode reduzir de forma significativa o risco de primeiro infarto e primeiro AVC em pacientes com diabetes e alto risco, mesmo antes de haver placa detectável nas artérias. Se essa leitura se firmar, isso desloca a fronteira do tratamento: em vez de agir só depois da doença estabelecida, a medicação passaria a entrar mais cedo na prevenção de eventos graves. Fonte: Repatha / ScienceDaily

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